Caso Glória Werkhausen: preso em Sarandi, ex-companheiro é indiciado por feminicídio
Investigação aponta que suspeito não aceitava o fim do relacionamento; homem está preso em Sarandi desde julho
Foto: Glaucia Werkhausen / Arquivo Pessoa O ex-companheiro da professora Glória Werkhausen, de 43 anos, foi indiciado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (14) pela morte da vítima, ocorrida em Constantina. Márcio Oliveira dos Santos foi responsabilizado pelos crimes de feminicídio majorado por asfixia, ocultação de cadáver e incêndio doloso.
A investigação aponta que a motivação teria sido passional. Conforme a Polícia Civil, Márcio não aceitava o fim do relacionamento com Glória. Os dois mantiveram uma relação por aproximadamente 25 anos e estavam separados havia cerca de quatro meses.
Um dos pontos de maior relevância para Sarandi é que o investigado permanece preso no município. Márcio foi detido no dia 16 de julho e está recolhido em Sarandi. A prisão temporária, que havia sido determinada inicialmente, foi posteriormente convertida em preventiva por decisão judicial. O pedido foi apresentado pelo delegado Cristiano De Bone, responsável pela investigação, e a prisão preventiva foi decretada na sexta-feira (7).
Investigação mudou rumo do caso
Glória foi encontrada morta no dia 12 de julho, depois que um incêndio atingiu a residência onde ela morava, no bairro Florestal, em Constantina.
No início da apuração, chegou a ser considerada a possibilidade de suicídio. Com o avanço das investigações, entretanto, a Polícia Civil reuniu elementos que apontaram para a participação de uma terceira pessoa e para uma possível tentativa de modificar a cena do crime.
Segundo a investigação, o fogo ficou concentrado principalmente na área da sala de estar, local onde o corpo da professora foi encontrado.
A perícia também identificou um corte no pulso direito da vítima e marcas de esganadura no pescoço. Conforme o delegado responsável pelo caso, o ferimento no pulso não teria sido provocado pelo autor. A investigação considera que as características do corte não seriam compatíveis com um ferimento provocado pela própria vítima.
Relatos apontaram conflitos e perseguição
Durante a investigação, mais de 20 pessoas foram ouvidas pela Polícia Civil. Os depoimentos, segundo a corporação, reforçaram relatos sobre uma relação marcada por conflitos, além de situações de violência psicológica e perseguição que Glória teria sofrido por parte do ex-companheiro.
Com os elementos reunidos, a Polícia Civil passou a tratar o caso como feminicídio e apontou também os crimes de ocultação de cadáver e incêndio doloso.
O indiciamento encerra a etapa de investigação policial e deverá integrar o processo que seguirá na Justiça.
Defesa afirma que apresentará sua versão
A reportagem entrou em contato com o advogado José Paulo Schneider, responsável pela defesa de Márcio Oliveira dos Santos.
Em nota, a defesa afirmou que recebe com tranquilidade a conclusão apresentada pela autoridade policial e que, durante o processo, pretende apresentar suas provas e sua versão dos fatos.
O caso agora segue para as próximas etapas judiciais. O investigado permanece preso em Sarandi, enquanto a Justiça dará continuidade à análise do processo.




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