Um olho no clima e outro na lavoura de soja
Falta de chuva para o plantio, custos de produção em alta, cotações em patamares históricos. Esses são só alguns dos fatores que tornam a safra de soja 2020/2021 uma das mais singulares dos últimos anos. Apesar de tudo, a perspectiva de bons preços no mercado brasileiro e externo sustenta a projeção de uma safra com produção recorde, inclusive, pelo aumento de área cultivada registrado em algumas áreas produtoras do país. Por mais que a ocorrência de pragas e doenças foram minimizadas em função do clima mais seco na temporada, o monitoramento das lavouras é ainda mais importante no fim do ciclo, visando alcançar os resultados econômicos esperados com a safra.
O engenheiro-agrônomo e doutor em Produção e Tecnologia de Sementes Alexandre Gazolla alerta para as chamadas doenças de final de ciclo (DFCs). Apesar destas estarem presentes em diversos momentos do cultivo, muitos dos sintomas são mais facilmente percebidos apenas no fim da fase reprodutiva. Por isso, é fundamental o monitoramento da lavoura, pois os grãos ainda não estão totalmente formados e o prejuízo pode ser significativo ao produtor.
– As cultivares que se destacam nas lavouras apresentam ciclo mais curto, menor área foliar e produtividade superior aos usados em safras passadas. Porém, sua suscetibilidade para algumas doenças também é maior, especialmente aquelas causadas por fungos necrotróficos. O monitoramento e os tratos culturais devem estar direcionados à prevenção de doenças e à manutenção da área foliar da planta, para que esta possa expressar o máximo potencial produtivo – ressalta Gazolla.
Outro aspecto ressaltado pelo doutor em Sementes e que deve ser considerado na aplicação de produtos são as “realidades distintas apresentadas pela planta”, como ele mesmo se refere.
– Se dividirmos a planta em duas partes, na metade superior a deposição de fungicidas durante a aplicação é maior, proporcionando alta eficiência no controle de doenças. A metade inferior reserva uma série de desafios, com destaque para maior presença de patógenos, especialmente os necrotróficos. Este cenário fica mais complexo nas cultivares que apresentam maior presença de vagens no terço inferior da planta, região de difícil penetração de fungicidas durante as aplicações, principalmente após fechamento das linhas – explica o agrônomo, destacando a importância do acompanhamento técnico para a prática.
Já a engenheira-agrônoma e doutora em Produção Vegetal Joana Graciela Hanauer, da Emater/RS-Ascar, reforça a importância do pleno funcionamento das tecnologias de aplicação nesta fase da cultura e também sobre o acompanhamento das tendências climáticas.
– Durante todo o ciclo da cultura os produtores devem se atentar às condições ambientais, pois estas determinam a possibilidade do desenvolvimento de pragas e doenças em função de cada uma ter especificidades por temperatura e umidade adequada para o seu desenvolvimento. Estar com os pulverizadores inspecionados, fazer a seleção de pontas que produzam gotas do tamanho correto para haver a penetração dentro do dossel e o atingimento dos alvos, sempre observando as condições ambientais para a aplicação, são fundamentais para o controle das doenças e também de pragas – destaca Joana.
Existem várias tecnologias disponíveis no mercado para auxiliar os sojicultores no monitoramento e controle de pragas e doenças, desde o clássico monitoramento por pano de batida, coletores de esporos, armadilhas, até a utilização de sensoriamento remoto, por meio de drones e softwares associados a esse sistema. É válido ressaltar que todas as tecnologias disponíveis devem ser adotadas de acordo com nível tecnológico que é possível implantar na área. Independente do monitoramento que se adequa ao agricultor, o importante é que as áreas sejam monitoradas e acompanhadas pela assistência técnica de confiança do sojicultor.
Fonte: Rafaela Rodrigues/Novo Rural




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