Operação investiga suspeita de fraude em serviços de home care em Passo Fundo e Erechim

Justiça determinou o bloqueio de até R$ 11,3 milhões em bens e valores dos investigados; ação também ocorreu em Santa Catarina.

Matéria Tiago Bóra - Rádio Minuano / Inf. GZH
Operação investiga suspeita de fraude em serviços de home care em Passo Fundo e Erechim Foto: MPRS / Reprodução

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) realizou, na manhã desta terça-feira (20), buscas em Passo Fundo e Erechim durante a Operação Home Cash, que apura suspeitas de fraudes envolvendo recursos destinados a serviços de atendimento domiciliar, conhecidos como home care. A ofensiva também cumpriu seis mandados em Itapema, Santa Catarina, mobilizando cerca de 50 agentes.

A investigação busca esclarecer possíveis irregularidades no uso de verbas custeadas pelo Estado e pelo IPE Saúde para a prestação de serviços de saúde domiciliar no Norte do Rio Grande do Sul. Ao todo, 18 alvos foram atingidos nos três municípios.

Em Passo Fundo, as diligências envolveram um homem, uma mulher e a empresa ligada ao casal. Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência dos investigados, situada no bairro Leão XIII.

Além das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 11,3 milhões em bens e valores vinculados aos investigados, bem como o sequestro de veículos e imóveis.

A operação é coordenada pelo promotor de Justiça Diego Pessi, do 7º Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) – Planalto, com apoio do Núcleo de Inteligência do Ministério Público (NIMP) e da Brigada Militar.

Investigação apura cobranças acima dos serviços prestados

O procedimento teve início após a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) encaminhar uma notícia-crime ao Ministério Público. Segundo as informações apresentadas, os investigados teriam utilizado laudos médicos e orçamentos com valores superfaturados em processos judiciais para obter pagamentos por serviços em quantidade superior à efetivamente realizada.

Os investigadores também apuram possíveis transferências financeiras entre empresas e pessoas relacionadas ao suposto esquema, além da existência de patrimônio registrado em nome de terceiros, que poderiam atuar como laranjas.

Ação dá sequência a investigações anteriores

A Operação Home Cash integra uma série de medidas adotadas pelo Ministério Público para apurar possíveis fraudes em contratos e atendimentos de home care na região.

Em 4 de dezembro de 2024, a primeira fase da Operação Gollum cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Passo Fundo, envolvendo empresas, escritórios de advocacia e residências. Na ocasião, foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias para investigar suspeitas de uso irregular de recursos públicos destinados à saúde domiciliar.

Posteriormente, em 18 de março de 2026, a segunda fase da operação mobilizou agentes em Passo Fundo, Canoas, Esteio e Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, e a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões, além de medidas para rastrear ativos que poderiam estar relacionados aos desvios investigados.

As apurações seguem em andamento. As suspeitas investigadas ainda dependem de esclarecimento, e os envolvidos devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.




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