Golpe usa nome da Defensoria Pública e até voz clonada para enganar vítimas no RS

Criminosos conhecem detalhes de processos, enviam áudios falsos e tentam obter dinheiro ou acesso a celulares, contas bancárias e aplicativos; orientação é desconfiar e confirmar qualquer solicitação diretamente com a instituição

Matéria Tiago Bóra - Rádio Minuano / Inf. GZH
Golpe usa nome da Defensoria Pública e até voz clonada para enganar vítimas no RS Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Um golpe cada vez mais sofisticado está fazendo vítimas no Rio Grande do Sul ao utilizar o nome da Defensoria Pública e até recursos de inteligência artificial para dar aparência de verdade às abordagens. Os criminosos entram em contato com pessoas que possuem processos na instituição, demonstram conhecer informações pessoais e detalhes das ações judiciais e, em alguns casos, utilizam vozes clonadas de defensores públicos.

A Polícia Civil investiga pelo menos cinco casos no Estado. Situações semelhantes também já foram registradas em outros estados brasileiros.

A estratégia utilizada pelos golpistas é semelhante à do chamado golpe do falso advogado. A vítima recebe uma ligação ou mensagem de alguém que se apresenta como defensor público e afirma que existe algum procedimento pendente ou que há valores a serem recebidos em razão de uma decisão judicial.

Em seguida, os criminosos podem solicitar o pagamento de uma suposta taxa ou enviar links para que a vítima acesse o celular. O objetivo é conseguir informações pessoais, acessar aplicativos e, principalmente, contas bancárias.

Vítima perdeu R$ 899

Uma das vítimas procurou a Defensoria Pública para conseguir uma vaga em uma creche para o filho. Depois que o pedido foi atendido, ela recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como defensor público.

O falso profissional afirmou que precisava concluir o processo e pediu que ela realizasse um depósito e acessasse um link enviado pelo celular. Ao seguir as orientações, a mulher acabou permitindo que os criminosos tivessem acesso ao aparelho e aos aplicativos bancários.

Ela perdeu R$ 899, valor que estava reservado para o pagamento da prestação da casa própria.

Segundo a Defensoria Pública, esse tipo de relato tem chegado à instituição com frequência. Os criminosos costumam afirmar que a vítima possui dinheiro para receber e que seria necessário pagar algum tipo de taxa para liberar o suposto valor.

A orientação é clara: a Defensoria Pública não cobra honorários ou qualquer outro valor pelos serviços prestados à população.

Golpistas estão usando inteligência artificial

A fraude ganhou um novo elemento com o uso de ferramentas de inteligência artificial. Os criminosos conseguem produzir áudios que imitam a voz de defensores públicos, tornando a abordagem ainda mais convincente.

Em um dos casos, uma vítima recebeu um áudio utilizando uma voz semelhante à de um defensor e foi informada de que teria direito a uma indenização superior a R$ 124 mil.

Os recursos tecnológicos também podem ser utilizados para criar vídeos, avatares e outras formas de comunicação capazes de imitar profissionais reais.

Segundo especialistas em segurança da informação, não é necessário utilizar tecnologias extremamente sofisticadas para aplicar esse tipo de golpe. Ferramentas de inteligência artificial disponíveis atualmente podem ser utilizadas pelos criminosos para criar conteúdos convincentes.

Como evitar cair no golpe

A principal recomendação é não realizar pagamentos, não clicar em links e não fornecer senhas ou códigos de acesso após receber uma solicitação inesperada, mesmo que a pessoa pareça ser um defensor público, advogado ou outro profissional conhecido.

Outro ponto importante é não confiar apenas na voz ou nas informações apresentadas durante a ligação. Como os criminosos conseguem obter dados verdadeiros sobre processos e utilizar inteligência artificial para imitar vozes, essas informações não são suficientes para comprovar a identidade de quem está do outro lado.

Em caso de dúvida, a orientação é interromper a conversa e procurar diretamente a instituição ou o profissional responsável pelo processo, utilizando um telefone ou canal oficial já conhecido.

Se houver uma solicitação de dinheiro ou de acesso ao celular, conta bancária, aplicativo ou plataforma como o gov.br, a recomendação é redobrar a atenção.

Quem perceber que caiu no golpe deve procurar imediatamente a Polícia Civil e registrar a ocorrência. Quanto mais rápido o caso for comunicado, maiores são as possibilidades de tentar bloquear movimentações e preservar informações que possam ajudar na investigação.




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