Correios fecham 11 agências no Rio Grande do Sul em meio à crise financeira da estatal

Medida faz parte do plano de reestruturação da empresa, que acumula prejuízos bilionários e prevê o encerramento de mil unidades em todo o país.


Correios fecham 11 agências no Rio Grande do Sul em meio à crise financeira da estatal Foto: Jeff Botega / Agencia RBS

Os Correios iniciaram uma nova etapa do plano de reestruturação e fecharam 11 agências no Rio Grande do Sul entre o final de maio e o início de junho. A medida faz parte da estratégia da estatal para reduzir custos diante de uma grave crise financeira, marcada por sucessivos prejuízos bilionários.

As unidades desativadas estão distribuídas em diferentes regiões do Estado: quatro em Porto Alegre, duas em Caxias do Sul e uma em cada um dos municípios de Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas.

Segundo os Correios, o atendimento à população continua garantido por meio de outras agências existentes nas cidades afetadas. Apesar disso, moradores e lideranças comunitárias relatam preocupação com o aumento da distância para acessar os serviços e os impactos para idosos, pessoas com dificuldade de locomoção e comunidades localizadas em áreas mais afastadas.

Em Porto Alegre, foram encerradas as operações das unidades do Foro Central, no bairro Praia de Belas, do Campus do Vale da UFRGS, na Agronomia, além das agências da Avenida Protásio Alves, na Vila Jardim, e da Avenida Bento Gonçalves, no Partenon.

Em Caxias do Sul, os fechamentos atingiram os bairros Ana Rech e Galópolis, regiões mais distantes do centro da cidade. Moradores afirmam que a decisão aumentará o tempo de deslocamento e dificultará o acesso aos serviços postais.

A empresa informou que, neste momento, não há previsão de novos fechamentos nas próximas semanas. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS) afirma que outras unidades, incluindo centros de distribuição em Porto Alegre, também estariam sob análise.

Crise financeira

O fechamento das agências ocorre em um cenário delicado para a estatal. O balanço mais recente aponta prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, a empresa já havia registrado perdas de R$ 8,5 bilhões, mantendo uma sequência de resultados negativos iniciada no fim de 2022.

Como parte do plano de recuperação, os Correios obtiveram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto ao Tesouro Nacional e anunciaram o fechamento de mil das cerca de seis mil agências próprias existentes no Brasil, além da venda de ativos e da redução de despesas operacionais.

Especialistas avaliam que as medidas podem aliviar temporariamente o caixa da empresa, mas destacam que o principal desafio continua sendo o desequilíbrio entre receitas e despesas, agravado pela concorrência do setor privado.

Programa de Demissão Voluntária

Outra frente da reestruturação é o Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa da direção era alcançar a adesão de 10 mil empregados em 2026 e mais 5 mil em 2027. Até o momento, cerca de 3,1 mil funcionários aderiram ao programa em todo o país.

No Rio Grande do Sul, aproximadamente 85 trabalhadores optaram pelo PDV, número considerado baixo pelo sindicato da categoria, que atribui a pouca adesão às condições oferecidas pelo programa.

Com cerca de 500 agências próprias no Estado e mais de 5 mil empregados diretos, os Correios seguem implementando medidas de contenção de gastos enquanto buscam reequilibrar suas contas e garantir a continuidade dos serviços prestados à população.




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